Todos temos um Terê e uma Chorona.
O valor das coisas não está no tempo que elas duram, mas na intensidade com que acontecem. Por isso existem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis.
Fernando Pessoa
Gostaria de começar nosso papo de hoje com essa frase de Fernando Pessoa. Queria que você pudesse parar um minutinho e prestar atenção no que tenho para te dizer através dessas palavras.
Essa semana perdi, ou melhor, perdemos em nossa família, duas criaturas que com o pouco tempo que passaram conosco, nos ensinaram o verdadeiro significado da palavra inesquecível, inexplicável e incomparável.
Por uma fatalidade, um acidente doméstico, que todos nós estamos sujeitos a passar, perdemos nossas calopsitas (Terê e Chorona). A dor foi tanta na hora em que encontramos os dois mortos no fundo da gaiola, por alguns instantes, achei que parte do meu coração, havia sido arrancado.
Senti-me impotente diante dessa situação. Até na hora de enterrar pedi a Deus o dom de ressuscitá-las, fiz várias orações, mas não teve jeito. Acho que tenho que me empenhar em ressuscitar os vivos que estão se sentindo morto, isso sim.
O Pior foi acordar no outro dia e não ouvi-las cantando para mim. Chegar em casa do trabalho também, está sendo difícil abrir a porta e não dar de cara com elas, doidas esperando um afago.
Talvez você esteja pensando que estou sendo dramático demais, afinal, eram apenas duas aves, que posso ir a uma loja e comprar outra. Mas o que acontece é exatamente o contrário, novas aves, podem suprir a ausência das que perdemos, mas não serão os mesmos, talvez até aprendam os mesmos truques, mas não serão eles.
Terê era o xodó da minha esposa, cantava pra ela acordar, cantava pra ela dormir, cantava junto com ela ouvindo o Padre Marcelo todas as manhãs, tinha o prazer em ficar quietinho nos pés dela enquanto lavava louça, e até se espremia na cama quando estávamos deitados, só para poder compartilhar do mesmo calor humano que o edredom nos proporcionava, enfim, era um companheiro excelente nas horas alegres e até mesmo nas tristes, quando precisávamos apenas de alguém do lado que ficasse quietinho enxugando nossas lágrimas, ele exercia esse papel com perfeição.
Chorona era um caso a parte, desde novinha chorava por comida, depois que largou a papinha, trocava qualquer coisa por um pote de sementes e passou a chorar de dengo, só para receber um carinho.
Agora te pergunto, sabe a diferença de um animal para um ser humano?
O ser humano cresce e as responsabilidades dos pais mudam: alimentação, roupa, saúde, escola, faculdade, alguns começam a dar trabalho com os vícios, etc. Um animal de estimação pode crescer, mas a responsabilidade é única: alimentação e saúde com um toque de carinho.
Enfim, não quero criar polêmica alguma, até porque não trocaria meus filhos por animal nenhum e não quero que você desista de ter um filho ou troque ele por nada nesse mundo, também não quero te convencer a ter uma calopsita, mas gostaria que você pudesse entender que ao seu lado pode existir um Terê ou uma Chorona e você não tem percebido isso. Talvez seja alguém da sua própria família, clamando por uma atenção ou um chamego seu.
A intensidade nos relacionamentos é importante, não sabemos por quanto tempo teremos esse alguém querido do nosso lado. E para mim não interessa se é um animal ou uma pessoa, até porque se tem vida, foi criado por Deus e não merece ser descartável.
Já disse essa frase antes, tirada do livro O Pequeno Príncipe: O tempo que se perde com sua rosa, é a que a torna especial, única para você. Isso é cativar. E cativar significa criar laços. E se não criamos laços com quem amamos como poderemos ter momentos inesquecíveis com eles?
Quando era adolescente, tive diversos colegas, alguns deles, eram meus amigos inseparáveis, e hoje nem sei por onde andam, alguns até tentei procurar, mas não obtive êxito, não sei como estão, nem se estão vivos ainda. Tenho certeza que você passa por isso também. Quantos passaram em sua vida? E quantos definitivamente ficaram?
O pior é quando perdemos alguém muito próximo, pessoas que amamos e não temos tempo de demonstrar esse amor. Essa noite mesmo minha esposa falava isso comigo: “Petterson, não quero saber o tamanho da dor de perder um filho”.
Se somos capazes de sofrer pela perda de dois seres vivos que nos trouxeram tantas alegrias, imagine perder um filho, um pai, uma mãe? Tenho a sorte de ter os meus do meu lado, e procuro todos os dias demonstrar o quanto eles são importantes para mim.
Vivo aprendendo a guardar esses momentos inesquecíveis, pois sei que um dia posso sofrer com a ausência, assim como estou sofrendo hoje. E nesse caso, é necessário o sofrimento, ele nos fortalece nos faz crescer, mas não posso permitir que esse sentimento de dor me destrua, me desanime, me aprisione.
Não existe manual perfeito que nos ensine a viver as ausências em nossa vida.
Mas podemos combater isso com as lembranças boas que ficam para sempre, por isso são inesquecíveis, inexplicáveis e incomparáveis.
Quer uma dica, procure reviver os momentos bons e alegres, o quanto você cresceu e aprendeu com isso, faça desses momentos, um motivo para que você alcance um grau maior em sua maturidade como pessoa, se permita viver.
E nada melhor do que estar ao lado de pessoas que possam te apoiar diante disso.
Desperdiçamos nosso tempo com tantas bobagens, e esquecemos de viver o essencial que é a intensidade dos momentos inesquecível, das coisas inexplicáveis e das pessoas incomparáveis.
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Comentários
Petterson, sei como é essa dor… Ganhei em novembro de 2005 minha primeira calopsita, a Jaminha e infelizmente em novembro do ano passado (2009), ele acabou ficando doente e não consegui salvá-la… Sabe, já faz quase um ano e ainda essa semana sonhei com ela, estava viva, pertinho de mim e eu fiz uma porção de carinho nela…. ah, como são bons os sonhos! Não sei expressar a falta que ela me faz, ela era minha amiga, muito companheira, meu marido levantava para trabalhar, pegava ela e levava na cama, ela se aconchegava no edredon e ali ficava comigo toda dengosinha… Ela estava presente em tudo, sempre nos programávamos pensando nela e sentimos muito a falta dela…. Mas assim é a vida, por mais difícil temos que aceitar as perdas, faz parte de nosso processo de aprendizado, que Deus abençoe sua família e que o tempo ajude a aliviar sua dor….
Abraço!
Muito bonito seu texto Petterson perdi em maio minha calopsita que tinha 6 anos de convivencia com a familia vivia solta era uma princesa muito delicada,companheira.Ainda estou tentando superar a falta dela.Mas como voce mesmo falou temos outras pessoas para cuidar e Deus vai nos dar essa força.Desejo que voce e sua familia voltem a ter momentos de alegria e superem este momento.
parabéns pelo texto
Minha chorona esta comigo há 1ano e 1mês, e realmente como vc disse ela é capaz de me proporcionar momentos muiiiitos felizes. Ela até que não é muito chorona, mas de vez em qd faz umas manhas só pra ganhar atenção. Ela adora dormir agarradinha comigo, arranha minha orelha, é folgada, mas acima de td todos os dias é capaz de me presentear com um lindo e puro sorriso capaz de me renovar todos os dias… tb não sei o que seria da minha vida sem ela.
O amor que linda essa mensagem, realmente não será facil esquecer os nossos bebes , mas confesso que com você por perto tudo é mais tranquilo. Obrigada por toda compreensão, por todo carinho, por toda paciência e por todo amor.
HAHAHA essa foi contada aqui em Santa. Que triste, mais que DEUS possa confortar seu coração e o coração da sua esposa. Beijos Petterson!
Chorei ao ler…Com certeza, você e sua esposa terão novas alegrias com a chegada do novo bebê Calopsita ! Sorte Sempre !
ola amigo…tbm me emocionei em ler seu depoimento….tbm tenho uma cdalopsita ele é lindo fica o tempo todo comigo…ate saio na rua com ele…. e ele nao sai do meu ombro….eu nao imaginaria perder ele…..e so faz um mes que estou com ele….ele veio arisco mais estou amansando…..se vc com suas experiencias em criar calopsita se quiser pode me dar algumas dicas…..pois tenho muito amor e paciencia com ele…….obricada…bjs




Não tenho nem palavras pra descrever como me senti lendo esse texto…muito lindo Petterson,parabéns!